Qual é a sua responsabilidade na terapia?
- Primus Psicologia
- 14 de abr.
- 2 min de leitura

Você já pode ter ouvido falar sobre o quão importante é que o paciente se responsabilize na psicoterapia, mas já parou pra pensar no que significa isso de forma prática?
Se responsabilizar pelo próprio processo terapêutico não é sobre “se virar sozinho” nem sobre se culpar pelo que deu errado, como muitos podem pensar. É mais sutil e, ao mesmo tempo, mais desafiador do que isso.
Na prática, significa entender que a terapia não é algo que o psicólogo faz em você, mas algo que vocês constroem juntos. E que, fora da sessão, tem uma parte que é sua. Não no sentido de obrigação pesada, mas no sentido de participação real. Talvez, inclusive a parte mais importante, porque é nela que você vai ter a possibilidade e a chance de experienciar na prática todas as demandas elaboradas dentro do momento da sessão.
Dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, isso se traduz em perceber seus padrões, questionar pensamentos, testar novos comportamentos… tudo isso exige um certo nível de envolvimento. Não dá pra terceirizar essa parte do processo.
E aqui entra um ponto importante: se responsabilizar não é se culpar. Enquanto a culpa pode paralisar ou trazer uma cobrança quase esmagadora, a responsabilização pode te colocar em movimento. É reconhecer: “ok, isso aqui me atravessou, não escolhi tudo isso… mas o que eu faço com isso agora tem, sim, um pouco de mim”.
Mais fácil falar do que fazer né?
Porque se responsabilizar também significa abrir mão de alguns lugares conhecidos, até aqueles que fazem a gente se sentir preso (nem sempre nossa zona de conforto é, de fato, confortável). Significa tentar diferente, mesmo sem garantia. Significa sustentar desconfortos.
É compreensível quando o paciente chega esperando que a terapia traga respostas prontas ou alivie a dor de forma mais rápida. Mas, com o tempo, é importante perceber que o processo envolve se implicar, olhar pra si com mais honestidade e, aos poucos, assumir pequenas escolhas no meio do caos.
Do lado do terapeuta, o cuidado é justamente não transformar isso em cobrança. É caminhar junto, validando o quanto é difícil, mas também mostrando onde ainda existe espaço de ação.
No fim, se responsabilizar pelo próprio processo terapêutico tem muito mais a ver com autoria do que com obrigação. É sair, aos poucos, de um lugar onde tudo “acontece com você” e começar a perceber onde você também pode acontecer na sua própria história, e descobrir a potência disso.




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