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A terapia te faz uma pessoa melhor?

  • Foto do escritor: Primus Psicologia
    Primus Psicologia
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A terapia parece ter sido mais um elemento do autocuidado que foi transformado em performance. O que eu quero dizer com isso? Tenho a sensação de que, nos últimos tempos, o processo psicoterapêutico tem tomado um viés moralizante em muitos discursos divulgados por aí.  


A ideia de que quem faz terapia possui uma compreensão acerca da realidade e de si mesmo que o coloca numa posição de evolução frente a outros está por trás de muitas das falas que se mascaram como valorização da psicologia, e é algo que eu não concordo.

Não concordo porque a psicoterapia, por si só, não tem o poder de tornar ninguém melhor. Ela é moldada e direcionada pelos desejos de quem ocupa seu lugar central (o paciente), portanto não tem um agente regulador que dita qual é o caminho mais certo, ou moral, para se seguir. 


Já escutei muitas vezes, desde antes de me tornar psicóloga “fulano faz terapia, mas parece que não funciona”, como se o objetivo da terapia do fulano fosse ser se moldar às expectativas de terceiros a respeito de qual seria um comportamento aceitável para ele.

O que acontece em um ambiente de sessão é outra coisa.  A terapia se propõe a te ajudar a se conhecer com mais clareza, olhar pra si, seus desejos, comportamentos, objetivos e padrões e questioná-los. A partir disso, construir um caminho que te leve mais próximo de uma vida mais consciente e intencional.


Nessa dinâmica, tem gente que começa a dizer “não" e passa a desagradar mais, tem gente que coloca limites que podem ser lidos como egoísmo, inclusive. Isso não é “se tornar melhor”, tem mais a ver com honestidade consigo mesmo.


Terapia não pode ser um selo de superioridade emocional, ou um indicativo de que você enxerga tudo de forma mais clara e age de forma mais madura. Essa ideia, inclusive, pode se tornar uma armadilha que te afasta do que poderia ser mais proveitoso.


Por aqui não existe promessa de uma versão idealizada de você. Tentamos construir uma relação mais real com seus limites, contradições e possibilidades de escolha.  

Te convido a se desincubir de alcançar as expectativas colocadas em relação a como o SEU processo psicoterapêutico deveria se desenvolver.

 
 
 

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