O que o machismo tem a ver com a síndrome da impostora
- Mariana Ribeiro
- 7 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Síndrome do impostor, que não é síndrome de verdade, é um conjunto de pensamentos e visões de mundo voltados à sensação de inadequação, medo de outras pessoas descobrirem uma “verdade” sobre a competência e talento da pessoa. Mas será que a reflexão para por aí?
Todo mundo tá suscetível a precisar lidar com esse tipo de pensamento, mas não só fatores individuais contribuem pra esse padrão. Se a saúde mental é uma dimensão coletiva e está vinculada a fatores culturais, existem camadas sociais que talvez sejam um pouco mais vulneráveis a terem seus talentos e competências questionados, não acham?
Se você junta a possibilidade de uma pessoa duvidar de si mesma, com ambientes profissionais e sociais hostis e machistas, a jornada dupla que ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, a diferença de salários, número de assédios, objetificação e outros fatores, infelizmente, muito comuns, a pergunta mais adequada seria: Como é possível desenvolver um senso de autoeficácia saudável a partir disso?
O próprio conceito de “assertividade” sofre mudanças quando a gente olha um pouquinho mais a fundo o lugar que a mulher ocupa em um ambiente de trabalho. Se ela é doce, não se impõe e é fraca, ou só pode estar demonstrando interesse romântico né? Se ela é incisiva, ela é grossa e arrogante. Será que existe mesmo espaço para a assertividade de uma mulher, ou o problema é ser mulher em si? O que será que dita essa percepção? Pode depender do tom, da situação, de quem tá ouvindo, mas talvez um outro fator determinante seja não tão óbvio, mas bastante claro: o gênero. O que diferencia uma fala assertiva de um homem pra de uma mulher?
Outros recortes como de classe e raça ainda são extremamente relevantes pra esse debate. Fatores sociais que vão moldando o lugar que se espera de cada um no mundo estão fadados a exercerem influência sobre a percepção individual.
A compreensão dessa construção é necessária pra perceber como a sociedade se constrói, se mantém e influencia a forma como nos percebemos no mundo, pra que a gente se assegure acerca dos nossos princípios e valores diante das situações de vulnerabilidade que nos cercam e pra que nós -mulheres principalmente- possamos nos ver para além do que o mundo tenta nos impor.




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