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O isolamento silencioso da vida adulta

  • Foto do escritor: Primus Psicologia
    Primus Psicologia
  • 9 de jan.
  • 2 min de leitura


Ser um adulto dito “funcional” é difícil, sei que não preciso te dizer isso. O trabalho, quando existe, ocupa a maior parte da semana. Quando não existe, toma os pensamentos com a pressa de que precisa existir. Exercício físico é peça importante para dar uma segurada na ansiedade, e manter a saúde física em dia. Ainda tem casa para cuidar, alimentação para preparar, e dependendo, um pet que precisa passear. 


Pode parecer que é necessário fazer malabarismo para dar conta disso tudo, podendo acontecer vez ou outra de uma dessas partes ter um pouco menos da sua atenção, o que é normal.  Aí pensa bem: chega um final de dia ou final de semana e sua amiga mais próxima te manda mensagem chamando para sair. Você tem vontade de ir ou prefere ficar em casa, recarregando a bateria? 


Às vezes, o cansaço vai falar mais alto, e você vai preferir tirar aquele tempo para si, o que é super importante e revigora. Te ajuda a se reconectar consigo mesmo, seus gostos e sua companhia. E passa bem longe daqui a ideia de você deixar de ter esses momentos. A ideia é chamar a atenção para quando isso vira uma constante e você se dá conta de que não vê essa amiga pessoalmente há meses. Ou quem sabe, mais de ano. E olha para outras relações e vê que isso também acontece. 


Silenciosamente. 


Um isolamento que começa como autocuidado, mas chega ao ponto de se tornar um isolamento emocional é perigoso. E o discurso crescente de que precisamos ser versões cada vez melhores de nós mesmas não costuma colocar na conta que você continue fortalecendo e criando vínculos, pois costuma vir de uma perspectiva individualista, de que você tem que mostrar ao outro sua versão melhorada, quase como um troféu. E ficamos com a falsa sensação de que as conexões virtuais conseguem suprir essa demanda. 


Mas fato é que o virtual não substitui um olho no olho, um sorriso sincero e um toque de carinho com uma pessoa que você gosta. Fortalecer vínculos não exige grandes gestos. Pode começar com uma mensagem do tipo “lembrei de você”, seguido por um convite para um café. Não é sugestão de mais uma obrigação dentro de uma vida adulta corrida. É um lembrete de que as demandas e os objetivos podem afastar você, sem querer e sem alertas, de conexões humanas sinceras e que te permite desarmar por um momento. 


Que tal ir lá mandar um “oi, sumida?”


 
 
 

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