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Descanso ou procrastinação?

  • Mariana Ribeiro
  • 1 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Seria esse o dilema do século XXI? Entre a visão do descanso como recompensa, a noção de que ele deve ser merecido, a ideia de que procrastinação é preguiça e o peso da cobrança  por produtividade infinita, onde está a linha que divide o que é descanso e o que é procrastinação? Será que essa linha existe realmente?


“Se eu tenho um dia produtivo, posso descansar no final dele sem peso na consciência”. Uma ideia que pode parecer inofensiva, até mesmo sensata, mas que esconde por trás a lógica de uma vida voltada à utilidade, à produtividade, e que vincula o valor do sujeito ao quanto ele produz. Além disso, uma visão de que o descanso é uma recompensa pela produtividade e não um aspecto dela.


Sim, o descanso precisa fazer parte da forma como enxergamos nossa relação com o trabalho, com o estudo e com o quanto conseguimos nos dedicar para um objetivo. Ele não está no fim da equação, mas sim entre cada uma das variáveis. Nessa ótica, muitas vezes quando nos deparamos com o que chamamos de “procrastinação”, na verdade estamos nos deparando com um estado de exaustão, que é uma resposta a estarmos inseridos em uma lógica produtivista que não é nada sustentável (pro clima, pro ambiente, mas também pra uma saúde individual e social).


Mas então onde entra a procrastinação? Onde entra a dificuldade individual em colocar em prática, de forma sustentável, algo que se foi proposto? O que é lido como preguiça frequentemente, na verdade pode ter causas muito profundas e, sim, impossíveis de serem completamente separadas do aspecto social e estrutural que vivemos. Quando essas atividades representam o veredito do “sucesso” ou do “fracasso”, quando o produto dessa dedicação representa o valor de um indivíduo, muitas vezes a ansiedade toma conta. Como não tomaria? E aí é que tá a questão com a ansiedade: ela praticamente implora pela evitação. E o que é a procrastinação se não a evitação do desprazer que é entrar em contato com todo esse sufoco? 


A forma como nos vemos lidando com o mundo ao nosso redor, as conclusões que tiramos, os rótulos que nos colocamos passam sempre por além da escala individual, entender isso traz uma perspectiva mais realista, saudável e sustentável pra gente ir lidando com os desafios de encarar e funcionar nesse mundo.


 
 
 

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