A mercantilização do autocuidado
- Mariana Ribeiro
- 7 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O que é autocuidado? Palavrinha muito ouvida por aí e ganha cada vez mais espaço. Mas o que será que acontece com esse conceito a partir desse espaço todo? A resposta é a mesma pra várias outras questões que vão se tornando um mercado à parte: o capitalismo.
Ou seja, cuidar de você virou um negócio. A gente gasta com cosméticos, skincare, livro de colorir pra desestressar, bugigangas para dormir, apetrechos para exercício físico e até procedimentos estéticos tem entrado nesse balaio, disfarçados de amor próprio. A consequência disso acaba sendo o afastamento, ao invés da aproximação. Se pra me cuidar, eu preciso de tudo isso, o cuidado acaba se tornando mais uma fonte de preocupação e inadequação, inalcançável.
O que era pra ser uma ferramenta pra lidar com o mundo, acabou se tornando mais uma régua pra gente alcançar, e nesse contexto precisamos fazer um recorte de gênero e pontuar que, em grande parte, esse mercado está voltado para o consumo feminino, como uma forma da mulher lidar com o estresse que o próprio sistema a coloca sob, e agora ainda precisa se adequar à “forma certa” de se cuidar.
Os hobbies e o autocuidado se tornaram um lugar de status, só entra quem tem o dinheiro e o tempo pra investir, vão conquistando um lugar de almejo que alimenta a sensação de não pertencimento de quem não tem essa possibilidade.
O que a gente faz com isso?
Primeiro, lança luz ao problema. Reflete sobre de onde vem a trend que te fez sentir que precisava ou que deveria ter algo que não estava nem no seu radar ontem. Estabelece a prioridade de um autocuidado real, de saúde financeira e emocional e atingível, não como um passe de mágica, mas com a reflexão e a conexão. Se propõe começar algo sem necessariamente ter todos os apetrechos disponíveis, faz por si mesmo, como for possível. Questiona o tipo de conteúdo que consome. Se cuida com afeto e compaixão, não com cobrança.
Quem sabe aí não dá pra começar?




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