Quem é você quando erra?
- Primus Psicologia
- 19 de jun.
- 2 min de leitura

O que vem a sua mente quando lê a palavra autoestima? Algumas ideias como a beleza física, uma pessoa confiante ou o conceito de se amar passaram pela sua cabeça?
Se sim, em alguma medida, você acaba de arranhar a superfície do que se trata essa palavrinha tão utilizada. Ou seja, você está certo, mas hoje nós vamos olhar para uma parte menos falada e que afeta tanto quanto você gostar ou não do que olha no espelho.
Já reparou como você lida com você mesmo quando comete um erro?
Às vezes, basta esquecer uma tarefa, falar algo que se arrependeu ou não conseguir dar conta de tudo em um dia para surgir uma sequência de pensamentos duros consigo mesmo. “Eu sou incompetente”, “eu estrago tudo”, “eu nunca consigo”. Pequenas falhas deixam de ser apenas situações pontuais e passam a funcionar quase como provas de incapacidade.
Talvez esse seja um dos lados menos percebidos da autoestima. Ela também aparece na forma como você conversa consigo nos dias difíceis. No quanto consegue reconhecer o próprio esforço, tolerar imperfeições e entender que errar não transforma ninguém automaticamente em alguém insuficiente. E que os acertos merecem ser reconhecidos e comemorados, ao invés de serem vistos como “obrigação”.
Uma pessoa pode parecer muito confiante por fora e, ainda assim, viver em uma relação extremamente agressiva consigo mesma. Pode buscar aprovação o tempo todo, sentir que nunca faz o bastante ou se cobrar de uma forma que jamais cobraria alguém que gosta. Em muitos casos, a autoestima não aparece apenas na forma como alguém se enxerga, mas principalmente na forma como se trata.
E esse diálogo interno não surge do nada. Nós aprendemos, ao longo da vida, maneiras de olhar para nós mesmos. Algumas pessoas cresceram em ambientes onde o erro era recebido com muita crítica, comparação ou exigência. Outras aprenderam que precisavam acertar o tempo inteiro para se sentirem valorizadas. Aos poucos, essas experiências podem se transformar nessa voz interna dura e punitiva que aparece diante de qualquer falha.
E acaba que algumas pessoas têm dificuldade de abrir mão dessa forma dura de se tratar porque acreditam que é justamente ela que as impedem de se acomodarem. Como se pegar pesado consigo mesmo fosse necessário para continuar tentando, evoluindo ou fazendo as coisas “do jeito certo”. Por um momento, até pode parecer que essa cobrança funciona. Mas viver constantemente sob ameaça, culpa ou sensação de insuficiência costuma gerar mais desgaste do que crescimento.
Mas a notícia boa é que se esse diálogo foi aprendido, ele também pode ser modificado.
E isso não significa passar a se admirar o tempo todo, ignorar defeitos ou fingir que está tudo bem sempre. A autoestima tem tanta relação com gostar de si quanto com a capacidade de continuar se tratando com carinho, respeito e tolerância mesmo nos dias em que você falha, se frustra ou não consegue ser a versão de si mesmo que gostaria.
E isso, vai facilitar para você, ao fim do dia, olhar para si como alguém que pode aprender, aos poucos, a se ver de forma menos hostil.




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